segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Segundo Dia - Parque das Ararinhas Azuis

Este foi um dia bastante especial. As imagens cuidarão de mostrar nossas emoções.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Primeiro Dia


Na Trilha das Ararinhas Azuis


Naquela manhã fria de domingo do inverno de MMXI, o Sol, na constelação do Caranguejo, ascendeu sobre um lindo céu nublado, e a família do seu Arara Azul de Lear aproveitou para ficar no ninho até mais tarde. O casal Arara vivia em uma das tocas do paredão de arenito vermelho do Desfiladeiro do Meio. Era uma típica família de araras-azuis-de-lear, com suas virtudes e limitações, como todas as outras famílias que viviam nos paredões da Serra das Araras, no sertão de Canudos.
Seu Arara e dona Arara eram os pais do Ararinha, que já tinha a idade de 10 translações da Terra em torno do Sol. Fazia pouco tempo que o Ararinha começara a realizar seus voos iniciais, sempre sob a supervisão dos pais e das outras aves adultas da comunidade do Desfiladeiro do Meio, que sabiam bem que a melhor forma de viver socialmente é ajudando uns aos outros. O Ararinha era uma avezinha esperta, que dava valor aos ensinamentos dos mais velhos, e naqueles dias estava especialmente feliz, pois a mamãe Arara havia anunciado que estava prestes a por dois ovinhos no próximo equinócio, início da primavera. Em breve viriam duas irmãzinhas, que ele estava ansioso para conhecer.
O Ararinha adorava o raiar do dia, quando via aquela estrela amarela tão bela saindo por detrás da serra no leste, e então a mamãe Arara lhe servia um delicioso desjejum de coquinhos de licuri com mingauzinho regurgitado de murici. Depois, o seu Arara e a dona Arara saiam para colher frutos silvestres, enquanto ele ia para a escolinha da dona Araralina, uma senhora muito respeitada pelas araras da comunidade, onde o Ararinha tinha aulas de canto erudito e popular, educação física, primeiras manobras, identificação de fauna e flora, orientação cardeal e identificação de estrelas. As matérias que o Ararinha mais gostava eram as de voo contemporâneo e planagem contemplativa. Todos os dias, antes do Sol alcançar o zênite, a turminha da escola se reunia para uma deliciosa refeição de fruto de mandacaru, palma ou jenipapo, na sombra de um frondoso e antigo pé de jatobá. Pela tarde, o Ararinha saía para brincar com seus amigos e amigas por ali perto, colhendo frutos e brotos silvestres, brincando de manobras e se refrescando nas cacimbas de água doce, formadas no alto das gargantas apertadas que se precipitavam dos penhascos.
Naquela manhã, dona Arara acariciou seu Arara com o bico, amorosamente, depois foi até a caminha quentinha de palha arranjada com raminhos tenros e cheirosos de alecrim do tabuleiro, onde dormia seu filhote, o Ararinha, e aqueceu-o por um momento sob suas asas. Era muito cedo e uma garoa fina descia das nuvens como um véu alvo e delicado. Dona Arara deu mais um bico carinhoso no Ararinha, e sentiu saudade de seu filhote mesmo antes de deixá-lo. Naquele dia iriam visitar os pais de dona Arara, que moravam no Raso da Catarina, em Jeremoabo, a poucas horas de voo dali, e só voltariam ao entardecer, trazendo o jantar.
O pai do seu Arara, o vovô Ararovaldo, que morava numa toca contígua a deles, ficaria com o Ararinha, que adorava passar as manhãs de domingo em companhia do avô. Dona Arara deixou um bolinho de milho e uns grãozinhos de café prontos para quando o Ararinha acordasse, fez as últimas recomendações ao vovô Ararovaldo, enquanto o seu Arara dava pressa, gralhando sem parar que estavam atrasados:
-Vamos, meu amor! A revoada das seis já está saindo!   
Seu Arara, após o habitual alongamento das asas e eriçada nas penas, se aproximou da bela entrada da toca onde moravam, caprichosamente ornada pela brancura das fezes de dezenas de gerações de sua família. Seu Arara tinha muito orgulho daquele trabalho, produzido ao longo de centenas de translações por seus antepassados, e ao qual ele e sua família davam continuidade. Transpassada a abertura, atirou-se ao ar, com a leveza e agilidade que lhe eram comuns. Dona Arara, ainda sem parar de falar, como era o modo das araras, caminhou até a abertura de sua longa e aconchegante toca e também deu uma rápida alongada de asas, eriçou as penas, olhou para a própria cauda por sobre os ombros, e apesar dos seus trinta e cinco anos de sertão, ficou satisfeita consigo mesma, estava com um lindo tom de azul nas penas, próprio de uma arara fêmea amada e saudável. Espiou para fora e viu que as vizinhas já estavam se reunindo para a revoada. Sentiu-se feliz pelo dia que nascia, percorreu com os olhos todos os oito metros de comprimento de sua toca, desde o fundo até a abertura de quatro palmos de altura que dava para o desfiladeiro, o lar estava em ordem para sua ausência, então tornou a olhar para as aves que já revolucionavam no céu, e se lançou de peito aberto no lindo abismo que principiava além de seu doce lar. Planou no ar até a corrente ascendente onde seu Arara planava com o compadre Arariomar e a comadre Ararilindia, na maior algaravia, até que em ordem unida partiu, de per si, como numa coreografia espontânea e atávica, a revoada das seis horas da manhã.
Quando o Ararinha acordou, ficou feliz em ver o vovô Ararivaldo, com quem ele aprendia tantas coisas importantes. Foi logo perguntando se poderiam sair para voar até o pé de juazeiro do córrego seco, como sempre faziam aos domingos de manhã.
Então o vovô Ararivaldo lhe disse:
-Hoje vamos fazer um passeio pedagógico, meu netinho.
-E o que é um passeio pedagógico, vovô?
-É um passeio voltado à aprendizagem, aliado à diversão e à alegria de passear!
O Ararinha adorou a novidade, e ficou muito ansioso, nem queria mais tomar seu desjejum,  mas o velho Ararivaldo deu uma boa gargalhada e disse:
-Tenha calma, meu neto. Primeiro você precisa se alimentar. Há o momento pra tudo nesta vida, então coma devagar, sem pressa.
Ao terminar o café, o Ararinha perguntou:
-Vovô... Por que é que o senhor acorda tão cedo?
-Quanto de alguma coisa menos a gente tem, mais a gente aprende a dar valor.
-Do que é que o senhor está falando, vovô?
-Do tempo, Ararinha. Um dia você vai entender. Venha, eu quero lhe mostrar uma coisa.
Então os dois, avô e neto, saíram voando até ganhar uma boa altura no céu.
-Veja, Ararinha, você está vendo aquele grupo de animais? Nós os chamamos de humanos.
-Humanos? E por que eles andam pelo chão?
-Eles não têm asas... São seres menos evoluídos do que nós. Na verdade, eles são um tanto primitivos, meus pais me contavam que há mais de cem translações atrás, eles fizeram uma grande guerra onde hoje é aquele açude grande. Ao invés de se unirem, às vezes eles se destroem.
-Mas por que eles fazem isso, vovô?
-Não se sabe ao certo, Ararinha, mas os mais sábios dizem que é por que eles não são inteligentes o suficiente para evitar, nem têm a capacidade do raciocínio lógico e cooperativo como nós.
-E isso é verdade?
-Talvez... Mas eu acho que eles estão evoluindo. Ao longo de minhas 88 translações, eu percebi que eles têm dado alguns sinais de raciocínio e até de contemplatividade, estes seres humanos.
-E eles cantam, vovô?
-Em geral eles emitem uns grunhidos estridentes, mas eu já notei que em alguns momentos, eles parecem sentir alguma elevação espiritual, através de um momento de distração ou de alegria, ou mesmo de sofrimento. Nestes momentos eles cantam.
-E onde eles estão indo, vovô?
-Eu não sei, talvez estejam apenas fazendo um passeio pedagógico, como nós...
Então os dois riram alegremente; Ararinha achou muita graça da piada do avô.
         -Veja, meu neto, perceba como a maioria deles parecem filhotes, enquanto alguns do grupo são adultos... Entre os adultos, estão aqueles quatro que vivem por aqui. Um deles prendeu uma prima minha um dia; ele era caçador, mas agora já tem muito tempo que ele só faz nos deixar em paz, e parece cuidar para que ninguém mais faça o que ele mesmo fez um dia. Isso é um sinal de evolução.
-Veja como eles carregam sua própria água e comida naquelas bolsas que trazem nas costas, e em alguns momentos eu tenho quase certeza de que eles estão aqui apenas para admirar a beleza da nossa serra, por pura contemplação, e isso é um indicativo de que eles têm sensibilidade e são mais inteligentes do que muitos de nós queremos admitir.
         -E por que eles estão indo por aquele lugar difícil, vovô, ao invés de voltar pelo mesmo caminho por onde vieram?
         -Eu não sei ao certo, Ararinha, mas eu acho que os adultos estão querendo ensinar aos mais jovens, que é preciso seguir em frente, mesmo quando o caminho tem dificuldades e obstáculos. Veja como alguns parecem estar com medo. Mesmo entre os adultos. Para alguns a caminhada parece ser mais fácil, para outros, mais difícil, mas perceba como eles estão se ajudando e apoiando uns aos outros, num trabalho de cooperação mútua, como se fossem mesmo inteligentes. É provável que eles façam isso por instinto... A natureza é muito interessante...
         -Vovô, mas por que alguns deles estão sorrindo, enquanto outros parecem estar com medo?
         - Acho que os que estão sorrindo estão tentando ensinar aos outros a sorrir diante do desafio. Mas perceba como os adultos estão posicionados nos lugares mais difíceis para apoiar os demais, e assim eles vão se ajudando. A natureza é muito bonita, veja que até com estes seres humanos nós podemos extrair o exemplo de que a colaboração mútua entre elementos de um mesmo grupo é a melhor maneira de enfrentar os obstáculos. Eles poderiam desistir e voltar por onde vieram, mas parecem determinados a vencer seus medos e se superar. É provável que estes seres humanos nem saibam o quanto uma experiência como esta é engrandecedora.
-Por que, vovô?
-Porque o conhecimento é como a semente do milho. Às vezes a semente é boa, mas a estação é desfavorável. Então a semente fica ali, esperando o tempo, até que um dia, o tempo chega, um dia, sem que a gente espere, como num encantamento do céu cai a chuva, que tinha subido como gás, e fertiliza a terra, e a semente fecunda.
-Que bonito, vovô. O senhor pode me trazer outras vezes aqui, para nós vermos os seres humanos?
-Você aprenderá a vir aqui sozinho, meu querido. Pode se tornar um grande pesquisador de seres humanos. Você pode ser tudo o que você quiser, desde que aprenda a entender o tempo que cada coisa tem.
Então, o vovô e o netinho se olharam sorrindo e o vovô gritou:
-Vamos aproveitar este sopro mais forte... Agora!
E no soprar mais forte do vento os dois se lançaram felizes ao céu, sobrevoando a turminha de seres humanos e retomando o rumo de casa. O Ararinha ainda gritou, brincando:
-Bom passeio pedagógico pra vocês, seres humanos!
Escutaram ainda, lá de baixo, alguns dos seres humanos grunhindo, estridentes:
-Olha lá, mais um casalzinho de araras azuis... Que lindo!
-Eu tirei uma foto! Nossa, ficou linda! Vou mostrar pra minha mãe!

Este texto espontâneo é dedicado a Luisa, Lívia, Débora, Samanta, Alexandre, Catarina, Bruna, Gabriel, Lucas, Juliano, Guilherme, Gustavo, Lara, Atine, Gustavo, Ana Lúcia, Luis Fernando, Loli, Paulo, Djalma, seu Carlos, Dorico, Flavio, Caboclo, Tânia, Railan, Eric, Joselina e especialmente a nossa querida coordenadora Gabriela Azevedo, aos pais e a direção do colégio Miró.  
Fernando
Cinco e trinta e três da manhã de 25 de julho de MMXI a.D
  Expedição Miró Canudos, 22, 23 e 24 de julho

    

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Segundo Dia

Saiba Mais (Visual)


O Fim de Canudos - Cordel

RUTH FARAH NACIF LUTTERBACK

Para o povo de Canudos
foi Antonio Conselheiro,
embora não tendo estudos,
santo guia missioneiro.


Usando um camisolão
azul e forte cajado,
caminhava o ermitão
pelo bando acompanhado.


Recuperando as capelas,
construindo cemitérios
acabava com as mazelas
decifrando seus mistérios.


Carregando grande cruz,
milagreiro do sertão
consegue, fazendo jus,
dominar a multidão.


Fazendo-se protetor
de Canudos atrasado,
era, também, professor
e por todos respeitado.


A Terra da Promissão,
por Deus ali prometida,
pregava em cada oração:
garantia para vida!


Não sendo republicano,
reprovava a "lei-do-cão",
preparando o povo insano
para a tal rebelião.


Em jagunço transformado
o sertanejo, na sorte,
por Euclides confirmado:
"é antes de tudo um forte".


Pela sua rebeldia,
foi Canudos atacado.
Alheio às leis da Bahia
havia impostos negado.


Os jagunços e soldados
travam combate renhido:
baixas de ambos os lados;
a fé não faz mais sentido.


Andrade Guimarães fez
um ataque diferente
pra dizimar de uma vez
o arraial e sua gente.


Vindo Febrônio de Brito
com seus soldados valentes,
houve acirrado conflito
e perda de combatentes.


Com pedras, foices, facões,
o bando de revoltosos
enfrentou os batalhões
entre cantos religiosos.


Moreira César tentou
para o governo a vitória.
Bravamente ele lutou
mas morreu sem ver a glória.


Savaget, o general,
assumindo com bravura
o então comando-geral,
quis vingar o linha-dura.


O Conselheiro a rezar,
de tristeza sucumbiu.
O pobre povo a lutar
seu fim chegando sentiu.


Jagunços fracos, cansados,
em seus momentos fatais,
acabaram massacrados
pelas tropas federais.


Recordando lance a lance
sofrimentos e vitória,
Canudos perdeu a chance:
a guerra tornou-se história.


Sendo exumado o beato,
teve a cabeça cortada.
A vitória foi, de fato,
finalmente confirmada.


Esse caso praticado
nestes versos é lembrado:
irmãos em luta renhida
defendendo o solo amado.


A revolta sertaneja
por muito tempo durou.
Desde a oração à peleja,
todo o Brasil abalou.


Euclides em "Os Sertões"
encarou a realidade
das lutas e opressões
passando à imortalidade!

O Livro Vermelho da Fauna Brasileira

Foi lançado em 15 de Dezembro de 2008 no FIEMG Trade Center, em Belo Horizonte (MG), o Livro Vermelho da Fauna Brasileira, iniciativa da ONGs Conservação Internacional (CI-Brasil) e Fundação Biodiversitas (FB). Na ocasião foi lançado também, pela FB, a Lista de Espécies Ameaçadas de Minas Gerais. O evento fez parte das comemorações de duas décadas de existência da Biodiversitas, parceira da CI-Brasil.
Resultado da parceria entre a Conservação Internacional e a Fundação Biodiversitas, o Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Brasil – financiado pelo CNPq e Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio) – já figura entre as principais obras sobre zoologia no Brasil. A publicação – que integra a série Biodiversidade, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) – reúne 282 autores e traz uma compilação de dados sobre cada uma das 627 espécies ameaçadas da fauna brasileira. O livro, que contém 1.492 páginas em dois volumes, contou com um investimento de R$ 280 mil dos órgãos do governo federal, além de uma contrapartida das ONGs no mesmo valor, para uma tiragem de dois mil exemplares.
“Além de ser uma obra com informação científica de qualidade compilada e sistematizada pelos principais zoólogos e ecólogos do Brasil, o livro é também um poderoso instrumento para aplicação de políticas públicas de conservação da nossa fauna. Sabemos quais são as espécies ameaçadas, onde elas ocorrem, quais os principais fatores de ameaça e o que precisa ser feito para tirá-las dessa situação”, ressalta Adriano Paglia, analista de biodiversidade da CI-Brasil.
O livro apresenta uma extensa compilação dos aspectos biológicos, ecológicos, populacionais, de distribuição, principais ameaças e ações para conservação de cada uma das espécies ameaçadas da fauna brasileira, entre vertebrados e invertebrados.  A parte geral da publicação traça um panorama sobre a fauna ameaçada do país, o histórico das listas vermelhas no Brasil, a legislação pertinente e as ações do governo e das ONGs para a conservação da biodiversidade brasileira.
“O valor científico e conservacionista de uma publicação desse porte é inestimável”, define Gláucia Drummond, superintendente técnica da FB. “Foram três anos de trabalho que valeram a pena”, completa. Drummond explica que o primeiro passo desse processo teve início quando a lista nacional da fauna ameaçada foi revisada. Naquele momento, os especialistas disponibilizaram o conhecimento existente, já publicado ou mesmo empírico, para a avaliação do grau de risco de extinção das espécies. “Somente com a contribuição de uma legião de parceiros, dentre os quais, os pesquisadores brasileiros, os técnicos do governo, os centros de pesquisa, as universidades, os profissionais da fotografia, o livro pode ser construído e concluído com sucesso”, garante ela.

Contribuidores do Livro.


Texto: Dia 2

Segundo Dia


Depois de um dia extremamente agradável,dormimos mais cedo para encarar o dia seguinte com mais força, e, é claro, bom humor, sentimentos vitais para a nossa experiência que estava por vir.
Acordamos às cinco e meia da manhã com um gostoso abraço de bom dia da nossa querida coordenadora Gabriela, que, junto a Fernando, nosso querido guia, e a amada professora Ana Lúcia, nos acompanharam em nossa linda aventura.
Quando chegamos à sede do Projeto BIODIVERSITAS no deparamos com os guias que iam nos acompanhar durante a nossa escalada, com objetivo de ver a ararinhas azuis, que atualmente estão em extinção.
A princípio, caminhamos em uma areia muito fofa, o que tirou um pouco da nossa energia para a etapa mais delicada, que foi a escalada. Com a ajuda de Fernando, Dorico e Flávio nos equilibramos, mas se não fosse pelo trabalho em grupo o nosso passeio não seria tão produtivo e harmonioso.
Passo após passo, percebíamos que aquilo iria realmente valer a pena, e quando chegamos ao topo tivemos certeza. Toda aquela vista, toda aquela natureza tocou cada um de nós de forma singular.
Para completar tão magnifico passeio, sentamos e comemos ouvindo o canto das ararinhas, que voavam livres, e cada um de nós sentiu-se privilegiado por presenciar tal momento. Tirávamos fotos com a consciência de que aqueles que virão as fotos nunca saberão e sentirão o que sentíamos naquele momento.
                                                                                                                      Pelo Dia 2

Guarda Parque da Fundação Biodiversitas é agraciado com Prêmio Asa Branca


Pessoa Comunicação e Relacionamento

O chefe dos guarda parques da organização mineira de caráter técnico-científico Fundação Biodiversitas, Eurivaldo Macedo Alves, mais conhecido como "Caboclo", foi agraciado com o prêmio Asa Branca do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga. O prêmio foi concedido no início deste mês, durante as comemorações da Semana Nacional do Bioma da Caatinga. A dedicação de mais de 30 anos de "Caboclo" à arara azul de lear, espécie da fauna brasileira ameaçada de extinção, chamou a atenção da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e da presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga, Alexandrina Sobreira de Moura.
 
"Caboclo" atua na Estação Biológica de Canudos, uma das áreas protegidas pela Fundação Biodiversitas no interior da Bahia. Entre as suas principais funções está a fiscalização do território, que compreende cerca de 1.500 hectares. Ele explica que, quando começou a atuar na região, durante a década de 1970, existiam naquela área apenas 42 exemplares da arara. No início dos anos 1990, já eram 75. Contudo, o projeto de conservação deslanchou mesmo só após a intervenção da Biodiversitas, que começou em 1999. Hoje, ele destaca que já é possível encontrar mais de 1.000 exemplares.


"Eu me senti muito orgulhoso e feliz ao receber o prêmio, pois se trata de uma grande honra, de um reconhecimento por todo o trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos. Alegra-me saber que ainda existem pessoas realmente preocupadas com a Caatinga", declara o premiado. Em meio a toda essa discussão relacionada às mudanças no Código Florestal Brasileiro, é necessário ressaltar que a Caatinga, mesmo sendo o único bioma exclusivo do Brasil e rico em biodiversidade, ainda é um dos menos protegidos do país. 

Fonte;
                                                                                                                            Dia 2

Projeto Canudos: O que exatamente a UNEB faz?

Estudos para o desenvolvimento sustentável com validação de metodologia de planejamento do desenvolvimento local nos sertões de Canudos.

Objetivo:

Realizar estudos que apontem para o desenvolvimento de soluções inovadoras para os problemas da população de Canudos no que tange aos múltiplos aspectos de sua realidade quer sejam econômicos, sociais, ambientais, históricos ou culturais. Principais Temáticas: Partindo do pressuposto que o desenvolvimento sustentável deve integrar as várias dimensões do desenvolvimento, destaca-se: (1) Memória, História e Arqueologia; (2) Agricultura irrigada; (3) Etnoecologia e Bioma Caatinga; (4) Pesca; (5) Educação para a convivência com o semi-árido; (6) Arte e Cultura. Princípio Norteador: O princípio norteador do Projeto é o desenvolvimento local integrado e sustentável, entendido como um processo endógeno e multidimensional que visa promover o reordenamento do uso do espaço e melhorar a equidade social e o acesso aos recursos. Faz parte do Projeto Canudos uma equipe multidisciplinar e interinstitucional, que trabalha as diversas dimensões do desenvolvimento – social, econômica, institucional e ecológica – são tomadas a partir de uma perspectiva holística. A ênfase é dada numa metodologia de planejamento que valoriza a participação ativa da comunidade, mobilizando suas energias e explorando suas capacidades e conhecimentos no sentido da busca conjunta de soluções para as principais demandas locais.

Principais Realizações:
  •    Com a participação do Fórum de desenvolvimento foi elaborado o Plano de Desenvolvimento Municipal Sustentável de Canudos;
  •   Implantada a unidade de observação de variedades de banana sob cultivo orgânico irrigado;
  •   Implantado tanques redes no Açude Cocorobó;
  •   Realizada a pesquisa sobre o impacto do Programa Bolsa Família;
  •   Realizada reformas estruturas no Parque Estadual de Canudos e no Memorial Antonio Conselheiro;
  •   Realizadas oficinas de elaboração de Projetos com encaminhamento à CAR e ao BNDES, os valores somam cerca de R$ 500 mil;
  •   Esta sendo concluído o projeto de construção da cidade cenográfica de Canudos;
  •   A dimensão educação para a convivência com o semiárido realizou quatro oficinas e esta implementando uma escola-referência na comunidade do 150.


Por “Dia I”.

Você Sabia?

Guerra de Canudos


A Guerra de Canudos – ou Campanha de Canudos – foi o confronto entre o Exército Brasileiro e integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no nordeste do Brasil.
A região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social. Milhares de sertanejos e ex-escravos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.
Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia.
Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, o que apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as casas do arraial.
Por “Dia I”.

Você Sabia?

Antônio Conselheiro – Antes de Canudos

                  No dia 13 de março de 1.830, nasce, no sertão do Ceará, na Vila do Campo Maior, Antonio Vicente Mendes Maciel, filho do comerciante Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina de Jesus. Mais tarde, viria a ter o apelido de Antônio Conselheiro. Desde sua juventude, sentiu e percebeu as injustiças praticadas contra o povo pobre do sertão (composto por ex-escravos, indígenas mestiços) e cresceu nele o desejo de libertar este povo das péssimas condições em que viviam.
O cearense era um dos muitos beatos que pregavam no sertão brasileiro no fim do século 19. Embora perseguido pela igreja – que não permitia que leigos se intrometessem em assuntos religiosos – desde que começou a pregar em 1870 foi reunindo grande numero de discípulos entre a população sertaneja. Considerava-se um messias, um enviado de deus, destinado a aliviar os sofrimentos dos homens e indicar-lhes o caminho da salvação.
Conselheiro casa-se com Brasilina Laurentina de Lima, sua prima, aos 27 anos. Quatro anos depois, Conselheiro flagra sua esposa traindo-o com um sargento em sua própria casa. Abandona o lar e vai para o Cariri.
Em 1895 o beato e seus seguidores instalaram-se em Monte Santo , arraial de canudos no Nordeste da Bahia, e a pequena vila cresceu rapidamente. Fanático defensor de suas idéias, o conselheiros começou a conduzir seus seguidores contra as inovações introduzias pelo regime republicano, como o casamento civil e a cobrança de impostos. Preocupado com as proporções que o movimento assumia, o governo enviou tropas para dispersar os rebeldes. Estes, porém, fortificaram a vila e organizaram-se militarmente, e adotando táticas guerrilheiras surpreenderam os soldados, repelindo vários batalhões que os atacaram em 1896.
Por “Dia I”.

Interdisciplinaridade em alta


Todo este trabalho relativo à viagem a Canudos - incuindo este blog - é fruto de um trabalho conjunto das disciplinas de Língua Portuguesa (Ana Lúcia Cerqueira), História (Gabriela Barreto) e Geografia (Wallace Coelho) do Colégio Miró. Discutindo informações e construindo os conceitos e opiniões juntos, as três matérias conseguiram executar um trabalho coeso e que dependeu de cada uma delas.
Anexamos o enorme amor de Ana Lúcia pela referência cultural do Sertão às aulas teóricas e que nos encheram de informações de Gabriela, além do apoio de Gabriela Azevedo nos dizendo que Wallace não poderia participar ativamente do projeto por ter sofrido um acidente de carro. Também nos ajudou a fotografar no nível visto aqui Patrícia Carmo, nos dando aulas e nos fazendo enxergar o mundo de outra forma. Assim, com esta vasta confluência de informações, conseguimos ser hábeis o bastante para poder contribuir com esse blog. 
Obrigado, e esperamos que goste!

Por “Dia I”.

domingo, 21 de agosto de 2011

Primeiro Dia

Fotos



Vista do açude que encobre um dos maiores massacres de nossa história.


Vê-se a enorme quantidade de pessoas que amam Dudu, de Salvador a Canudos.


Alexandre, no meio da favela, completamente solícito, sorrindo para a foto.



Alto da Favela, onde há o mais bonito pôr-do-sol que já vimos.
                                                   


Ana Lúcia com olhar crítico sobre os poemas de Fernando Pessoa.


Luisa posando tirando uma foto.


Antônio Conselheiro visto de baixo.

Alguns dos alunos presentes na viagem.


Seguimos...


Solo seco do sertão iluminado pelo crepúsculo do Alto da Favela.


Tempestuosidade.


Ana Lúcia e Dudu em um momento íntimo.


Por "Dia I".

Primeiro Dia

Depois de quase seis horas de viagens, finalmente a estrada de asfalto é substituída pela de barro e começamos a ter certeza de que realmente estamos no sertão baiano. Depois de vermos a mata verde vibrante existente até o meio da viagem ser trocada pela caatinga, os grandes rios trocados por leitos rachados – e os bois, pelos bodes, depois de já estar achando a viagem cansativa, chegamos ao Mirante Antônio Conselheiro.
Sem ter idéia da paisagem que encontraremos ao subir, os professores nos dizem que “é importante ter uma idéia geral de Canudos e sua região antes de explorar cada ponto da cidade”. Ainda com os olhos meio fechados, saímos do ônibus e começamos a subir uma colina cujo outro lado era inteiramente inédito aos nossos olhos.
Executamos a hercúlea tarefa de subir uma rampa de pedra (que, ao começar com um “mata-burro”, despertou perguntas curiosas) e então chegamos a um largo onde havia uma pequena igreja precedida de um cruzeiro de madeira. Desde ali, pudemos finalmente contemplar Canudos “de cima”, ter uma idéia ampla sobre toda a região. Mas ainda era preciso subir uma escadinha até o mirante, em si.
Lá chegamos e lá permanecemos – não por muito tempo, nosso roteiro no primeiro dia era mais que justo – a contemplar a cidade que ficava aos pés de Antônio Conselheiro, devendo-lhe tanta devoção pela imensa coragem posta em prática na Guerra.
Dali, fomos visitar a feirinha de sextas-feiras que há em Canudos, e chegamos a conclusão de que é um dos melhores lugares para se conhecer a essência da cidade. Descobrimos que a maioria dos vendedores vêm de outros lugares para ganhar dinheiro lá, e que também ninguém sabe nada sobre a Guerra de Canudos. Entrevistamos inúmeros feirantes e obtivemos preciosas informações a respeito da cidade.
 Mas a feira livre, conforme nos contaram, era muito diferente: De qualquer jeito, nunca foi direcionada para o turista, senão para o morador local, mas os controles remotos ficaram no lugar de candeeiros e panelas de barro, que quase não eram encontrados. A feira retrata o sertão que quer ser capital, quer consumir, quer se sentir desenvolvido, que quer virar mar.
Chegamos ao hotel, nos dispomos nos quartos, almoçamos o típico prato canudense – bode frito – e já partimos para engolir mais conhecimento: Desta vez, fomos ao museu Memorial Antônio Conselheiro para conhecer mais sobre a Guerra vista pelo lado histórico da coisa. Ouvimos dados técnicos sobre a guerra e vimos as espécies de plantas mais famosas do sertão:  Juazeiro, Favela e todos os tipos imagináveis de cactos.
Fomos, depois de comprar folhetos que narravam toda a história do Arraial, para o Parque Estadual de Canudos presenciar tudo o que ouvimos até agora. O ápice de nossa viagem, a razão pela qual viemos aqui estava prestes a ser revelada.
Depois de chegar à entrada do parque, onde havia um arco que serviu de fundo para nossa foto oficial, Fernando nos leu um texto (estava escrito em uma placa fixa) falando sobre a bravura dos últimos soldados e seguimos para o Alto da Favela a fim de testemunhar um crepúsculo inesquecível que acontecia enquanto Fernando nos falava da história da Guerra e de Antônio Conselheiro... A luz mais pura e admirável que já conhecemos se punha aos nossos olhos, que também viam toda a terra onde homens morreram lutando por justiça e todo o terreno da Guerra, cruz de madeira crua sombreava perfeitamente o outro lado do morro... Momentos – sem dúvida – inesquecíveis.
Andamos passando perto da margem do açude até as ruínas de um hospital, se não me falha a memória, feito com o intuito de cuidar dos homens que na guerra lutaram.
Do Parque Estadual de Canudos, fomos fazer uma visita noturna à casa de S. Pedro, um canudense que nos recebeu com as melhores intenções do mundo, onde tomamos uma aula de Astronomia com Fernando e, sobre uma lona estirada no chão seco, improvisamos um verdadeiro sarau de transbordante poesia, ora declamadas por Ana Lúcia, Gabriela ou Fernando. Contemplamos as estrelas como nunca o havíamos feito.
Voltamos ao hotel (onde os engenheiros da Terceira Canudos e hospedaram) e dormimos, mas sabendo que menos de quatro horas depois, às 4:30 da manhã, já estaríamos saindo para continuar esta incrível jornada. 






Por “Dia I”.



                                                                                                                               Texto: Alexandre Leone.