segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Fim de Canudos - Cordel

RUTH FARAH NACIF LUTTERBACK

Para o povo de Canudos
foi Antonio Conselheiro,
embora não tendo estudos,
santo guia missioneiro.


Usando um camisolão
azul e forte cajado,
caminhava o ermitão
pelo bando acompanhado.


Recuperando as capelas,
construindo cemitérios
acabava com as mazelas
decifrando seus mistérios.


Carregando grande cruz,
milagreiro do sertão
consegue, fazendo jus,
dominar a multidão.


Fazendo-se protetor
de Canudos atrasado,
era, também, professor
e por todos respeitado.


A Terra da Promissão,
por Deus ali prometida,
pregava em cada oração:
garantia para vida!


Não sendo republicano,
reprovava a "lei-do-cão",
preparando o povo insano
para a tal rebelião.


Em jagunço transformado
o sertanejo, na sorte,
por Euclides confirmado:
"é antes de tudo um forte".


Pela sua rebeldia,
foi Canudos atacado.
Alheio às leis da Bahia
havia impostos negado.


Os jagunços e soldados
travam combate renhido:
baixas de ambos os lados;
a fé não faz mais sentido.


Andrade Guimarães fez
um ataque diferente
pra dizimar de uma vez
o arraial e sua gente.


Vindo Febrônio de Brito
com seus soldados valentes,
houve acirrado conflito
e perda de combatentes.


Com pedras, foices, facões,
o bando de revoltosos
enfrentou os batalhões
entre cantos religiosos.


Moreira César tentou
para o governo a vitória.
Bravamente ele lutou
mas morreu sem ver a glória.


Savaget, o general,
assumindo com bravura
o então comando-geral,
quis vingar o linha-dura.


O Conselheiro a rezar,
de tristeza sucumbiu.
O pobre povo a lutar
seu fim chegando sentiu.


Jagunços fracos, cansados,
em seus momentos fatais,
acabaram massacrados
pelas tropas federais.


Recordando lance a lance
sofrimentos e vitória,
Canudos perdeu a chance:
a guerra tornou-se história.


Sendo exumado o beato,
teve a cabeça cortada.
A vitória foi, de fato,
finalmente confirmada.


Esse caso praticado
nestes versos é lembrado:
irmãos em luta renhida
defendendo o solo amado.


A revolta sertaneja
por muito tempo durou.
Desde a oração à peleja,
todo o Brasil abalou.


Euclides em "Os Sertões"
encarou a realidade
das lutas e opressões
passando à imortalidade!

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