segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Segundo Dia

Saiba Mais (Visual)


O Fim de Canudos - Cordel

RUTH FARAH NACIF LUTTERBACK

Para o povo de Canudos
foi Antonio Conselheiro,
embora não tendo estudos,
santo guia missioneiro.


Usando um camisolão
azul e forte cajado,
caminhava o ermitão
pelo bando acompanhado.


Recuperando as capelas,
construindo cemitérios
acabava com as mazelas
decifrando seus mistérios.


Carregando grande cruz,
milagreiro do sertão
consegue, fazendo jus,
dominar a multidão.


Fazendo-se protetor
de Canudos atrasado,
era, também, professor
e por todos respeitado.


A Terra da Promissão,
por Deus ali prometida,
pregava em cada oração:
garantia para vida!


Não sendo republicano,
reprovava a "lei-do-cão",
preparando o povo insano
para a tal rebelião.


Em jagunço transformado
o sertanejo, na sorte,
por Euclides confirmado:
"é antes de tudo um forte".


Pela sua rebeldia,
foi Canudos atacado.
Alheio às leis da Bahia
havia impostos negado.


Os jagunços e soldados
travam combate renhido:
baixas de ambos os lados;
a fé não faz mais sentido.


Andrade Guimarães fez
um ataque diferente
pra dizimar de uma vez
o arraial e sua gente.


Vindo Febrônio de Brito
com seus soldados valentes,
houve acirrado conflito
e perda de combatentes.


Com pedras, foices, facões,
o bando de revoltosos
enfrentou os batalhões
entre cantos religiosos.


Moreira César tentou
para o governo a vitória.
Bravamente ele lutou
mas morreu sem ver a glória.


Savaget, o general,
assumindo com bravura
o então comando-geral,
quis vingar o linha-dura.


O Conselheiro a rezar,
de tristeza sucumbiu.
O pobre povo a lutar
seu fim chegando sentiu.


Jagunços fracos, cansados,
em seus momentos fatais,
acabaram massacrados
pelas tropas federais.


Recordando lance a lance
sofrimentos e vitória,
Canudos perdeu a chance:
a guerra tornou-se história.


Sendo exumado o beato,
teve a cabeça cortada.
A vitória foi, de fato,
finalmente confirmada.


Esse caso praticado
nestes versos é lembrado:
irmãos em luta renhida
defendendo o solo amado.


A revolta sertaneja
por muito tempo durou.
Desde a oração à peleja,
todo o Brasil abalou.


Euclides em "Os Sertões"
encarou a realidade
das lutas e opressões
passando à imortalidade!

O Livro Vermelho da Fauna Brasileira

Foi lançado em 15 de Dezembro de 2008 no FIEMG Trade Center, em Belo Horizonte (MG), o Livro Vermelho da Fauna Brasileira, iniciativa da ONGs Conservação Internacional (CI-Brasil) e Fundação Biodiversitas (FB). Na ocasião foi lançado também, pela FB, a Lista de Espécies Ameaçadas de Minas Gerais. O evento fez parte das comemorações de duas décadas de existência da Biodiversitas, parceira da CI-Brasil.
Resultado da parceria entre a Conservação Internacional e a Fundação Biodiversitas, o Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Brasil – financiado pelo CNPq e Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio) – já figura entre as principais obras sobre zoologia no Brasil. A publicação – que integra a série Biodiversidade, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) – reúne 282 autores e traz uma compilação de dados sobre cada uma das 627 espécies ameaçadas da fauna brasileira. O livro, que contém 1.492 páginas em dois volumes, contou com um investimento de R$ 280 mil dos órgãos do governo federal, além de uma contrapartida das ONGs no mesmo valor, para uma tiragem de dois mil exemplares.
“Além de ser uma obra com informação científica de qualidade compilada e sistematizada pelos principais zoólogos e ecólogos do Brasil, o livro é também um poderoso instrumento para aplicação de políticas públicas de conservação da nossa fauna. Sabemos quais são as espécies ameaçadas, onde elas ocorrem, quais os principais fatores de ameaça e o que precisa ser feito para tirá-las dessa situação”, ressalta Adriano Paglia, analista de biodiversidade da CI-Brasil.
O livro apresenta uma extensa compilação dos aspectos biológicos, ecológicos, populacionais, de distribuição, principais ameaças e ações para conservação de cada uma das espécies ameaçadas da fauna brasileira, entre vertebrados e invertebrados.  A parte geral da publicação traça um panorama sobre a fauna ameaçada do país, o histórico das listas vermelhas no Brasil, a legislação pertinente e as ações do governo e das ONGs para a conservação da biodiversidade brasileira.
“O valor científico e conservacionista de uma publicação desse porte é inestimável”, define Gláucia Drummond, superintendente técnica da FB. “Foram três anos de trabalho que valeram a pena”, completa. Drummond explica que o primeiro passo desse processo teve início quando a lista nacional da fauna ameaçada foi revisada. Naquele momento, os especialistas disponibilizaram o conhecimento existente, já publicado ou mesmo empírico, para a avaliação do grau de risco de extinção das espécies. “Somente com a contribuição de uma legião de parceiros, dentre os quais, os pesquisadores brasileiros, os técnicos do governo, os centros de pesquisa, as universidades, os profissionais da fotografia, o livro pode ser construído e concluído com sucesso”, garante ela.

Contribuidores do Livro.


Texto: Dia 2

Segundo Dia


Depois de um dia extremamente agradável,dormimos mais cedo para encarar o dia seguinte com mais força, e, é claro, bom humor, sentimentos vitais para a nossa experiência que estava por vir.
Acordamos às cinco e meia da manhã com um gostoso abraço de bom dia da nossa querida coordenadora Gabriela, que, junto a Fernando, nosso querido guia, e a amada professora Ana Lúcia, nos acompanharam em nossa linda aventura.
Quando chegamos à sede do Projeto BIODIVERSITAS no deparamos com os guias que iam nos acompanhar durante a nossa escalada, com objetivo de ver a ararinhas azuis, que atualmente estão em extinção.
A princípio, caminhamos em uma areia muito fofa, o que tirou um pouco da nossa energia para a etapa mais delicada, que foi a escalada. Com a ajuda de Fernando, Dorico e Flávio nos equilibramos, mas se não fosse pelo trabalho em grupo o nosso passeio não seria tão produtivo e harmonioso.
Passo após passo, percebíamos que aquilo iria realmente valer a pena, e quando chegamos ao topo tivemos certeza. Toda aquela vista, toda aquela natureza tocou cada um de nós de forma singular.
Para completar tão magnifico passeio, sentamos e comemos ouvindo o canto das ararinhas, que voavam livres, e cada um de nós sentiu-se privilegiado por presenciar tal momento. Tirávamos fotos com a consciência de que aqueles que virão as fotos nunca saberão e sentirão o que sentíamos naquele momento.
                                                                                                                      Pelo Dia 2

Guarda Parque da Fundação Biodiversitas é agraciado com Prêmio Asa Branca


Pessoa Comunicação e Relacionamento

O chefe dos guarda parques da organização mineira de caráter técnico-científico Fundação Biodiversitas, Eurivaldo Macedo Alves, mais conhecido como "Caboclo", foi agraciado com o prêmio Asa Branca do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga. O prêmio foi concedido no início deste mês, durante as comemorações da Semana Nacional do Bioma da Caatinga. A dedicação de mais de 30 anos de "Caboclo" à arara azul de lear, espécie da fauna brasileira ameaçada de extinção, chamou a atenção da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e da presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga, Alexandrina Sobreira de Moura.
 
"Caboclo" atua na Estação Biológica de Canudos, uma das áreas protegidas pela Fundação Biodiversitas no interior da Bahia. Entre as suas principais funções está a fiscalização do território, que compreende cerca de 1.500 hectares. Ele explica que, quando começou a atuar na região, durante a década de 1970, existiam naquela área apenas 42 exemplares da arara. No início dos anos 1990, já eram 75. Contudo, o projeto de conservação deslanchou mesmo só após a intervenção da Biodiversitas, que começou em 1999. Hoje, ele destaca que já é possível encontrar mais de 1.000 exemplares.


"Eu me senti muito orgulhoso e feliz ao receber o prêmio, pois se trata de uma grande honra, de um reconhecimento por todo o trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos. Alegra-me saber que ainda existem pessoas realmente preocupadas com a Caatinga", declara o premiado. Em meio a toda essa discussão relacionada às mudanças no Código Florestal Brasileiro, é necessário ressaltar que a Caatinga, mesmo sendo o único bioma exclusivo do Brasil e rico em biodiversidade, ainda é um dos menos protegidos do país. 

Fonte;
                                                                                                                            Dia 2

Projeto Canudos: O que exatamente a UNEB faz?

Estudos para o desenvolvimento sustentável com validação de metodologia de planejamento do desenvolvimento local nos sertões de Canudos.

Objetivo:

Realizar estudos que apontem para o desenvolvimento de soluções inovadoras para os problemas da população de Canudos no que tange aos múltiplos aspectos de sua realidade quer sejam econômicos, sociais, ambientais, históricos ou culturais. Principais Temáticas: Partindo do pressuposto que o desenvolvimento sustentável deve integrar as várias dimensões do desenvolvimento, destaca-se: (1) Memória, História e Arqueologia; (2) Agricultura irrigada; (3) Etnoecologia e Bioma Caatinga; (4) Pesca; (5) Educação para a convivência com o semi-árido; (6) Arte e Cultura. Princípio Norteador: O princípio norteador do Projeto é o desenvolvimento local integrado e sustentável, entendido como um processo endógeno e multidimensional que visa promover o reordenamento do uso do espaço e melhorar a equidade social e o acesso aos recursos. Faz parte do Projeto Canudos uma equipe multidisciplinar e interinstitucional, que trabalha as diversas dimensões do desenvolvimento – social, econômica, institucional e ecológica – são tomadas a partir de uma perspectiva holística. A ênfase é dada numa metodologia de planejamento que valoriza a participação ativa da comunidade, mobilizando suas energias e explorando suas capacidades e conhecimentos no sentido da busca conjunta de soluções para as principais demandas locais.

Principais Realizações:
  •    Com a participação do Fórum de desenvolvimento foi elaborado o Plano de Desenvolvimento Municipal Sustentável de Canudos;
  •   Implantada a unidade de observação de variedades de banana sob cultivo orgânico irrigado;
  •   Implantado tanques redes no Açude Cocorobó;
  •   Realizada a pesquisa sobre o impacto do Programa Bolsa Família;
  •   Realizada reformas estruturas no Parque Estadual de Canudos e no Memorial Antonio Conselheiro;
  •   Realizadas oficinas de elaboração de Projetos com encaminhamento à CAR e ao BNDES, os valores somam cerca de R$ 500 mil;
  •   Esta sendo concluído o projeto de construção da cidade cenográfica de Canudos;
  •   A dimensão educação para a convivência com o semiárido realizou quatro oficinas e esta implementando uma escola-referência na comunidade do 150.


Por “Dia I”.

Você Sabia?

Guerra de Canudos


A Guerra de Canudos – ou Campanha de Canudos – foi o confronto entre o Exército Brasileiro e integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no nordeste do Brasil.
A região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social. Milhares de sertanejos e ex-escravos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.
Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia.
Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, o que apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as casas do arraial.
Por “Dia I”.

Você Sabia?

Antônio Conselheiro – Antes de Canudos

                  No dia 13 de março de 1.830, nasce, no sertão do Ceará, na Vila do Campo Maior, Antonio Vicente Mendes Maciel, filho do comerciante Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina de Jesus. Mais tarde, viria a ter o apelido de Antônio Conselheiro. Desde sua juventude, sentiu e percebeu as injustiças praticadas contra o povo pobre do sertão (composto por ex-escravos, indígenas mestiços) e cresceu nele o desejo de libertar este povo das péssimas condições em que viviam.
O cearense era um dos muitos beatos que pregavam no sertão brasileiro no fim do século 19. Embora perseguido pela igreja – que não permitia que leigos se intrometessem em assuntos religiosos – desde que começou a pregar em 1870 foi reunindo grande numero de discípulos entre a população sertaneja. Considerava-se um messias, um enviado de deus, destinado a aliviar os sofrimentos dos homens e indicar-lhes o caminho da salvação.
Conselheiro casa-se com Brasilina Laurentina de Lima, sua prima, aos 27 anos. Quatro anos depois, Conselheiro flagra sua esposa traindo-o com um sargento em sua própria casa. Abandona o lar e vai para o Cariri.
Em 1895 o beato e seus seguidores instalaram-se em Monte Santo , arraial de canudos no Nordeste da Bahia, e a pequena vila cresceu rapidamente. Fanático defensor de suas idéias, o conselheiros começou a conduzir seus seguidores contra as inovações introduzias pelo regime republicano, como o casamento civil e a cobrança de impostos. Preocupado com as proporções que o movimento assumia, o governo enviou tropas para dispersar os rebeldes. Estes, porém, fortificaram a vila e organizaram-se militarmente, e adotando táticas guerrilheiras surpreenderam os soldados, repelindo vários batalhões que os atacaram em 1896.
Por “Dia I”.

Interdisciplinaridade em alta


Todo este trabalho relativo à viagem a Canudos - incuindo este blog - é fruto de um trabalho conjunto das disciplinas de Língua Portuguesa (Ana Lúcia Cerqueira), História (Gabriela Barreto) e Geografia (Wallace Coelho) do Colégio Miró. Discutindo informações e construindo os conceitos e opiniões juntos, as três matérias conseguiram executar um trabalho coeso e que dependeu de cada uma delas.
Anexamos o enorme amor de Ana Lúcia pela referência cultural do Sertão às aulas teóricas e que nos encheram de informações de Gabriela, além do apoio de Gabriela Azevedo nos dizendo que Wallace não poderia participar ativamente do projeto por ter sofrido um acidente de carro. Também nos ajudou a fotografar no nível visto aqui Patrícia Carmo, nos dando aulas e nos fazendo enxergar o mundo de outra forma. Assim, com esta vasta confluência de informações, conseguimos ser hábeis o bastante para poder contribuir com esse blog. 
Obrigado, e esperamos que goste!

Por “Dia I”.

domingo, 21 de agosto de 2011

Primeiro Dia

Fotos



Vista do açude que encobre um dos maiores massacres de nossa história.


Vê-se a enorme quantidade de pessoas que amam Dudu, de Salvador a Canudos.


Alexandre, no meio da favela, completamente solícito, sorrindo para a foto.



Alto da Favela, onde há o mais bonito pôr-do-sol que já vimos.
                                                   


Ana Lúcia com olhar crítico sobre os poemas de Fernando Pessoa.


Luisa posando tirando uma foto.


Antônio Conselheiro visto de baixo.

Alguns dos alunos presentes na viagem.


Seguimos...


Solo seco do sertão iluminado pelo crepúsculo do Alto da Favela.


Tempestuosidade.


Ana Lúcia e Dudu em um momento íntimo.


Por "Dia I".

Primeiro Dia

Depois de quase seis horas de viagens, finalmente a estrada de asfalto é substituída pela de barro e começamos a ter certeza de que realmente estamos no sertão baiano. Depois de vermos a mata verde vibrante existente até o meio da viagem ser trocada pela caatinga, os grandes rios trocados por leitos rachados – e os bois, pelos bodes, depois de já estar achando a viagem cansativa, chegamos ao Mirante Antônio Conselheiro.
Sem ter idéia da paisagem que encontraremos ao subir, os professores nos dizem que “é importante ter uma idéia geral de Canudos e sua região antes de explorar cada ponto da cidade”. Ainda com os olhos meio fechados, saímos do ônibus e começamos a subir uma colina cujo outro lado era inteiramente inédito aos nossos olhos.
Executamos a hercúlea tarefa de subir uma rampa de pedra (que, ao começar com um “mata-burro”, despertou perguntas curiosas) e então chegamos a um largo onde havia uma pequena igreja precedida de um cruzeiro de madeira. Desde ali, pudemos finalmente contemplar Canudos “de cima”, ter uma idéia ampla sobre toda a região. Mas ainda era preciso subir uma escadinha até o mirante, em si.
Lá chegamos e lá permanecemos – não por muito tempo, nosso roteiro no primeiro dia era mais que justo – a contemplar a cidade que ficava aos pés de Antônio Conselheiro, devendo-lhe tanta devoção pela imensa coragem posta em prática na Guerra.
Dali, fomos visitar a feirinha de sextas-feiras que há em Canudos, e chegamos a conclusão de que é um dos melhores lugares para se conhecer a essência da cidade. Descobrimos que a maioria dos vendedores vêm de outros lugares para ganhar dinheiro lá, e que também ninguém sabe nada sobre a Guerra de Canudos. Entrevistamos inúmeros feirantes e obtivemos preciosas informações a respeito da cidade.
 Mas a feira livre, conforme nos contaram, era muito diferente: De qualquer jeito, nunca foi direcionada para o turista, senão para o morador local, mas os controles remotos ficaram no lugar de candeeiros e panelas de barro, que quase não eram encontrados. A feira retrata o sertão que quer ser capital, quer consumir, quer se sentir desenvolvido, que quer virar mar.
Chegamos ao hotel, nos dispomos nos quartos, almoçamos o típico prato canudense – bode frito – e já partimos para engolir mais conhecimento: Desta vez, fomos ao museu Memorial Antônio Conselheiro para conhecer mais sobre a Guerra vista pelo lado histórico da coisa. Ouvimos dados técnicos sobre a guerra e vimos as espécies de plantas mais famosas do sertão:  Juazeiro, Favela e todos os tipos imagináveis de cactos.
Fomos, depois de comprar folhetos que narravam toda a história do Arraial, para o Parque Estadual de Canudos presenciar tudo o que ouvimos até agora. O ápice de nossa viagem, a razão pela qual viemos aqui estava prestes a ser revelada.
Depois de chegar à entrada do parque, onde havia um arco que serviu de fundo para nossa foto oficial, Fernando nos leu um texto (estava escrito em uma placa fixa) falando sobre a bravura dos últimos soldados e seguimos para o Alto da Favela a fim de testemunhar um crepúsculo inesquecível que acontecia enquanto Fernando nos falava da história da Guerra e de Antônio Conselheiro... A luz mais pura e admirável que já conhecemos se punha aos nossos olhos, que também viam toda a terra onde homens morreram lutando por justiça e todo o terreno da Guerra, cruz de madeira crua sombreava perfeitamente o outro lado do morro... Momentos – sem dúvida – inesquecíveis.
Andamos passando perto da margem do açude até as ruínas de um hospital, se não me falha a memória, feito com o intuito de cuidar dos homens que na guerra lutaram.
Do Parque Estadual de Canudos, fomos fazer uma visita noturna à casa de S. Pedro, um canudense que nos recebeu com as melhores intenções do mundo, onde tomamos uma aula de Astronomia com Fernando e, sobre uma lona estirada no chão seco, improvisamos um verdadeiro sarau de transbordante poesia, ora declamadas por Ana Lúcia, Gabriela ou Fernando. Contemplamos as estrelas como nunca o havíamos feito.
Voltamos ao hotel (onde os engenheiros da Terceira Canudos e hospedaram) e dormimos, mas sabendo que menos de quatro horas depois, às 4:30 da manhã, já estaríamos saindo para continuar esta incrível jornada. 






Por “Dia I”.



                                                                                                                               Texto: Alexandre Leone.




Por que "Favela"?

A origem do nome favela vem da Guerra de Canudos. O povoado de Canudos, que desafiou o governo federal, foi construído perto de um morro chamado Favela, que era o nome de uma planta da região.
Após a guerra em 1897, alguns que voltaram à cidade do Rio de Janeiro deixaram de receber o soldo. Sem condições financeiras, eles se instalaram no Morro da Providência em barracos provisórios. Esse local recebeu então o nome Morro da Favela. A partir da década de 20, as habitações de barracos que se erguiam sobre os morros do Rio de Janeiro passarem a ser designadas favelas.
Por “Dia I”

Antônio Conselheiro – Cordel

Mais que História sertaneja, Conselheiro é Canudos é povo pobre.
Na simplicidade se almeja, liberdade e mil outras coisas nobres.
Temos de combater a desigualdade, com tentativa de libertação.
De construir outra sociedade, sem opressor e sem dominação.

Aparecem no sertão do norte, influenciando as massas populares.
Tempos de pobreza e morte, misérias em todos os lugares.
Rezava terços e ladainhas e a pregar, dava conselhos as multidões.
Estavam a respostas buscar, para suas imensas aplicações.

Movendo religiosos sentimentos, foi ao povo arrebanhando.
Desigualdades como argumentos, as massas sertanejas aumentando.
Falava da nação dividida, duas civilizações separadas.
Antagônicas e em luta renhida, uma rica e a outra sem ter nada.

Ingrata a economia nordestina, e o povo sofrendo na pobreza.
A consciência do povo se atina, e a esperança se vai pra natureza.
A igreja vivia em hostilidade, contra a maçonaria e o positivismo.
Tinha outro adversário de verdade, que era o protestantismo.

Tem a crise grande do algodão, e a seca grande a atormentar.
Se arruína a produção, e vem a fome ao povo matar.
Ideologias conflitantes, não resolviam a situação.
Conselheiro e seus militantes, fizeram em Canudos a comunhão.

Os poderosos da Bahia, fizeram a policia atacar.
Canudos com galhardia, os conseguiu derrotar.
Veio Febrônio já major, com soldados e canhões.
Foi uma derrota maior, e levou Canudos às imensidões.

Chega a terceira expedição por Moreira César comandada.
Foi mais uma decepção, vergonhosamente derrotada.
Para a quarta expedição, mais de 5 mil homens armados.
Tempo e recursos na preparação, projetos dos mais trabalhados.

Barbaria igual nunca se viu, salvaram a honra nacional.
Salvaram Bahia e Brasil, garantiram a hegemonia do capital.
Ficou história e lição, a heróica Canudos foi arrasada.
Outros conselheiros ainda virão, ficou a idéia da Aldeia Sagrada.
Azuir Filho
Por “Dia I”.

Terceiro Dia


No 3º e último dia de viagem, fomos à Velha Canudos, local onde foi travada a tão falada Guerra de CanudosLá nós visitamos a Igreja que pertenceu ao líder do movimento, Antônio Conselheiro, em frente à qual está preservada a legítima que se situava no meio da guerra. Prova disto são as marcas de tiros que se pode encontrar na mesma. Nesta igreja, são guardados os pedaços de madeiras que foram encomendados por Antônio Conselheiro para a construção da igreja maior. Esse material foi entregue há pouco tempo por uma mulher, que os doou após descobrir que o mesmo estava sendo utilizado em uma construção prestes a ser demolida.
Igreja de Antônio Conselheiro
Após visitar a igreja, fomos a um pequeno museu erguido nos anos 80, o Museu Histórico de Canudos, que contém objetos que foram utilizadas durante a guerra como máquinas de costura, ferros de passar roupa, chaves, armas e balas, roupas, panelas, etc. Em frente ao museu, conhecemos a sede do IBS (Instituto Brasil Solidário), que faz trabalho comunitário por várias partes do Brasil inclusive na região de Canudos. 
Museu Histórico de Canudos
Depois da nossa visita, fomos almoçar em um restaurante no qual pudemos desfrutar da famosa carne de bode de Canudos. Em seguida, voltamos para o ônibus onde seguimos de volta à Salvador. 
Para nós, foi uma experiência inigualável, através da qual pudemos adquirir conhecimentos não só sobre história e geografia, mas também sobre a vida.






 Por: 3º Dia - Gustavo Barretto, Gustavo Carballido e Fernanda Góes (revisão)

IBS - Insituto Brasil Solidário

Projeto Vila Canudos/Canudos Velho - BA
Status: em andamento
Execução: projeto modelo permanente




Iniciou-se em dezembro de 2008 o projeto Vila Canudos, envolvendo os municípios de Canudos Velho e Canudos, no sertão da Bahia. O projeto constitui-se por alojamentos preparados para abrigar 10 pessoas, com salão para palestras, consultório odontológico completo, farmácia e consultório médico.
Na parte externa, há uma vila agrícola de 1200 metros quadrados com princípios sustentáveis e orgânicos, com oito canteiros para cultivo de verduras e legumes (comercializados em escala local pela comunidade responsável), viveiro de mudas e 16 canteiros de frutas, além de plantas medicinais. Construída em uma região do semi-árido, toda irrigação da Vila Canudos é feita com uso de água captada das chuvas e armazenada em duas cisternas, além do sistema de reuso da água do alojamento, com uso de detergentes e defensivos orgânicos.
A história da Vila Canudos coincide com a história do IBS em Canudos Velho desde 2000, e a vontade de desenvolver um modelo de projeto piloto, capaz de receber voluntários e estudantes para ações periódicas, servir como base de apoio logístico para se alcançar novas áreas do sertão nordestino e ser fonte de inspiração para outras iniciativas semelhantes, principalmente em escolas apoiadas por todo país.
Em 2007, o IBS entregou a comunidade, ainda, uma biblioteca completa e equipada com computadores e recentemente acesso a internet. Anualmente, é desenvolvida uma festa de natal para a comunidade, aonde crianças e famílias recebem presentes com a chegada do "Papai Noel".
A Vila Canudos é mantida pelo IBS com recursos próprios, projetos envolvidos na região como o Amigos do Planeta na Escola, trabalhos paralelos de arrecadação de fundos (produtos sociais) e doações.
                                               Por: 3º Dia - Juliana Mendes e Mariana Tôrres

Importância da Preservação da Memória

 “A memória é a mente. Por isso, os desmemoriados são denominados: os sem mentes. A alma vivifica o corpo; o ânimo exerce a vontade; quando se recorda, é  memória; quando  julga, é razão; quando espira, é espírito; quando sente, é sentido.”
Isidoro de Sevilha (c.560-636), Etimologias, XI, 1,13.

A preservação da memória cultural de um lugar, seja este um país, uma cidade, ou um simples povoado, é fundamental. Não só para a valorização do mesmo, mas também para a formação da identidade cultural individual e coletiva dos seus habitantes. Todos querem ter orgulho do lugar em que vivem, todos querem ser reconhecidos pela sua contribuição histórica.

Canudos, cidadezinha de pouco mais de quinze mil habitantes, localizada a 410 km de Salvador, possui uma imensa riqueza cultural e histórica, pois foi palco de uma das maiores guerras que a sociedade brasileira já presenciou. Nos primeiros anos de país como República, a luta contra os altos impostos, a miséria e a falta de atenção do Governo Central, comandada pelo líder religioso Antônio Conselheiro, gerou um conflito armado que durou cerca de dois anos, conhecido como Guerra de Canudos.
Parque Estadual de Canudos
Infelizmente, a maioria da população local não possui o conhecimento desses fatos. Preocupados com isso, historiadores e profissionais da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), criaram o Projeto Canudos, visando, além de preservar a memória local, o desenvolvimento de soluções inovadoras para os problemas da população em múltiplos aspectos de sua realidade, quer sejam econômicos, sociais, ambientais, históricos ou culturais.
Memorial Antônio Conselheiro
Em 1986, a Universidade fundou o Parque Estadual de Canudos.  Considerado um “museu a céu aberto”, constituiu-se no teatro principal de acampamentos militares, da presença conselheirista e de violentos combates, abrigando valiosos sítios históricos, arqueológicos e antropológicos. Além disso, em 1997, foi criado o Memorial Antônio Conselheiro, onde estão expostas várias relíquias da Guerra de Canudos. Museu, biblioteca, salão de vídeo, auditório, painéis, mostruários, expositores e um belo jardim compõem o Memorial. 
Fora estas, a UNEB também desenvolveu várias outras ações. Dentre elas, a elaboração do Plano de Desenvolvimento Municipal Sustentável de Canudos, a implantação da unidade de observação de variedades de banana sob cultivo orgânico irrigado, e ainda este ano, está sendo concluído o projeto de construção da cidade cenográfica de Canudos.


                                                                     Por: 3º Dia - Fernanda Góes              
                                                                                                                                                                                                          



Biodiversitas

A definição do status de conservação das espécies da fauna e da flora e a elaboração de listas das espécies ameaçadas de extinção fazem parte da estratégia adotada pela Biodiversitas para subsidiar projetos e políticas de conservação no país.O levantamento, sistematização e especialização de dados biológicos são algumas das ferramentas utilizadas para o monitoramento da biodiversidade brasileira.

Leopardus wiedii :: Luiz Cláudio Marigo
A Biodiversitas iniciou a divulgação das listas vermelhas em 1990 e, a partir de então, a metodologia adotada pela Fundação tornou-se referência em todo o Brasil. Atualmente a Biodiversitas é a responsável pela atualização das Listas das Espécies da Fauna e da Flora Brasileiras Ameaçadas de Extinção.






Projetos da Biodiversitas

Tapirus terrestris :: Luiz Cláudio Marigo

A Fundação Biodiversitas desenvolve projetos em vários estados brasileiros através de estudos biológicos, geológicos, geográficos, sócio-econômicos, históricos e de ecoturismo, entre outros.

Estes estudos são realizados por meio de:

• Pesquisa básica;
• capacitação de pessoal;
• apoio a desenvolvimento de teses;
• inventários biológicos;
• zoneamento;
• ordenamento territorial;
• implantação de trilhas interpretativas;
• projetos de educação ambiental;
• criação e implantação de unidades de conservação;
• desenvolvimento e auxílio a projetos ambientais (governamentais e iniciativa privada).


Fonte.